sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
O Melhor do Mundo

Há trinta segundos Cristiano Ronaldo é eleito o melhor jogador do mundo 2008. Finalmente o orgulho português para nos emocionar! Falou com o coração sem grandes adjectivos, com a sua simplicidade, igual a si próprio, mas talvez com a consciência de que estava a dar uma enorme alegria e felicidade a gente simples como a sua família, como ele. Porventura, este jogador madeirense que se estreou há seis anos a jogar no Sporting Clube de Portugal e que em 2008 conquistou o mundo com a camisola do Manchester United, foi hoje um motivo de efémera felicidade, tanto para os que aplaudiram de fato inglês e ferrari à porta, como para aqueles que o viram de cara encostada a uma montra de vidro, aconchegados por um cartão a servir de tecto. Só que.... para estes a felicidade foi muito mais saborosa.
Meu Caro Ronaldo, não te importes se não falas com a fluidez de outros, e pensa que foste causador de orgulho para todos, mesmo todos. Parabéns, meu rapaz.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Palavras de neve
Cai neve ao meio-dia
a vestir os olhares de branco
e as palavras de luz,
há homens e mulheres de mãos dadas
por entre os flocos de algodão doce,
e sorrisos de criança
sobre o branco que os seduz;
por detrás das janelas desenham-se
nos vidros frios os dedos da contemplação,
narizes de menino,
retinas de solidão que seguem
as pegadas tatuadas na ausência
da neve que sobre o chão,
sossegadamente, descansa;
na cidade caiada de neve
as almas aquecem-se de branco quente,
entretanto, os sinais de fumo saem
das chaminés para escrever o amor
sobre a tela espalhada pelas ruas
enquanto as sílabas se escrevem
na cumplicidade da lareira
onde diariamente se desenham
carinhos de mulher.
a vestir os olhares de branco
e as palavras de luz,
há homens e mulheres de mãos dadas
por entre os flocos de algodão doce,
e sorrisos de criança
sobre o branco que os seduz;
por detrás das janelas desenham-se
nos vidros frios os dedos da contemplação,
narizes de menino,
retinas de solidão que seguem
as pegadas tatuadas na ausência
da neve que sobre o chão,
sossegadamente, descansa;
na cidade caiada de neve
as almas aquecem-se de branco quente,
entretanto, os sinais de fumo saem
das chaminés para escrever o amor
sobre a tela espalhada pelas ruas
enquanto as sílabas se escrevem
na cumplicidade da lareira
onde diariamente se desenham
carinhos de mulher.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
domingo, 4 de janeiro de 2009
Hatmavalley
Enquanto as palavras cúmplices saltitam
por entre as partituras abandonadas da surdez,
os quatro pés descalços dançam o bailado
dos versos que saem do olhar enorme
debruado a margaridas com aromas de côco;
como se da planície africana surgisse
a nuvem de poeira levantada pela irrequietude
da poesia, alucinante visão da mulher inventada
por Baudelaire no jardim onde crescem “as flores do mal”.
por entre as partituras abandonadas da surdez,
os quatro pés descalços dançam o bailado
dos versos que saem do olhar enorme
debruado a margaridas com aromas de côco;
como se da planície africana surgisse
a nuvem de poeira levantada pela irrequietude
da poesia, alucinante visão da mulher inventada
por Baudelaire no jardim onde crescem “as flores do mal”.
ausência presente
às vezes as palavras não chegam,
nem mesmo com a ajuda dos pássaros,
para levar a alma a bom porto,
porque há amores que não cabem
nas ruas estreitas dos dias
e só caminham na planície dos olhares;
nem mesmo com a ajuda dos pássaros,
para levar a alma a bom porto,
porque há amores que não cabem
nas ruas estreitas dos dias
e só caminham na planície dos olhares;
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2008 / 2009
No primeiro dia do ano 2009 há duas coisas inevitáveis – pensar no que poderá vir a ser o ano que se aproxima, e passar em revista o ano que agora termina.
Sentado no conforto da minha mesa de trabalho, procuro imagens que tenham marcado o ano 2008. Duas páginas de notas e trinta minutos de internet depois, a realidade não é animadora e o que mais se pode e deve pedir para 2009 é que seja um ano realmente melhor para todo o mundo. Catástrofes naturais, guerras e fome mundial preenchem 80% das imagens que é possível encontrar dos últimos doze meses.
Homens, mulheres e crianças mortas aos milhares em cenários de guerra como o Iraque, o Afeganistão, a Faixa de Gaza ou a Geórgia invadida pela Rússia;
Mulheres e crianças subnutridas em países como Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia ou Uganda.
A isto podemos juntar ainda a onda de violência interna na Grécia.
Mas a nível internacional vamos destacar como grandes marcas de 2008:
- Em primeiríssimo plano o chamado fenómeno Obama – depois de quase um ano de campanhas os americanos escolhem para a presidência dos Estados Unidos da América o Afro-americano Barack Obama, o primeiro negro a chegar à Casa Branca e a trazer aos americanos e ao mundo uma lufada de esperança no poder da democracia e no futuro de todo o mundo.
- Fidel Castro, o dinossauro sul-americano, abdica do poder que entrega ao seu irmão Raul, porém ninguém acredita que ele deixe de ser a sombra de Cuba.
- Realizam-se os Jogos Olímpicos de Pequim e a China mostra ao mundo o que de melhor e pior tem o seu regime.
- A Espanha sagra-se campeã europeia de futebol, num campeonato em que Portugal mostra a mais pálida imagem da sua capacidade.
Cá por casa e no que ao nosso Portugal diz respeito, a crise financeira e os casos do BPN e do BPP dominam os casos de 2008, mas há mais:
- A proposta avaliação dos professores deixou a classe em polvorosa e realizaram-se as mais mediáticas manifestações de sempre, num braço de ferro entre o governo e os docentes que promete continuar.
- A Assembleia da República aprova um acordo ortográfico demonstrativo da indisfarçável mediocridade e imbecilidade dos deputados da nação que votaram a favor deste diploma vergonhoso.
- Cavaco Silva promulga a polémica nova lei do divórcio.
- Começaram as alegações finais do caso Casa Pia.
- Manuela Ferreira Leite é eleita presidente do PSD.
- O cineasta Manuel de Oliveira completa 100 anos de idade.
- Morre o escritor António Alçada Baptista
- O estatuto político-administrativo dos Açores abre a guerra que se esperava entre o Presidente da República e o governo da maioria PS.
Para 2009 não há grandes previsões e as que há são por si só previsíveis.
- A crise financeira mundial terá a sua maior factura em pagamento este ano, dizem os entendidos e copiam os desentendidos.
- Os cenários de guerra em todo o mundo vão continuar, porém há na mente de todos uma nova esperança chamada Barack Obama.
- Em Portugal é ano de eleições, autárquicas e legislativas, e o Partido Socialista deverá ser o vencedor destas contendas, não sem ter que ultrapassar alguns obstáculos, a saber: conquistar o milhão de votos que pertencem a Manuel Alegre, compensar os votos dos professores que não vai ter, e, mais difícil, anular a guerra que lhe vai mover Cavaco Silva, que está furibundo por ter perdido a contenda dos Açores e porque sabe que o seu partido está entregue a uma bicharada que a senhora idosa é manifestamente incapaz de controlar. Basta ter ouvido com atenção o discurso de Ano Novo de Cavaco Silva aos portugueses para perceber que o verniz estalou e a máscara caiu. Falou da “imagem da política interna no exterior”, da “Estagnação económica dos últimos anos”, disse que “as ilusões pagam-se caro”, falou ainda das “querelas entre os políticos”, sublinhou o desemprego e as dificuldades actuais dos portugueses e disse que as políticas não deverão ser encaradas apenas para 2009, mas também para os anos seguintes, ou seja, para depois das eleições legislativas deste ano – “Acredito num futuro melhor em 2009, mas também nos anos que vêm a seguir” – disse – e só lhe faltou apelar à mudança. O Presidente da República tentou uma forma subtil de atingir Sócrates e o PS, porém, os portugueses não são assim tão estúpidos e se há coisa que é certa é que continuarão a não ser em 2009 nem nos anos seguintes. Ficou a sensação de que uma máscara caiu em plena cena, resta agora saber que futuro nos reserva o que intenções estarão por detrás dessa máscara no ano que agora começa. Uma coisa é certa, em 2009 continuará a ter razão o pensador Voltaire quando escreveu que “-Se não encontrarmos nada agradável, ao menos devemos encontrar algo novo.”
Sentado no conforto da minha mesa de trabalho, procuro imagens que tenham marcado o ano 2008. Duas páginas de notas e trinta minutos de internet depois, a realidade não é animadora e o que mais se pode e deve pedir para 2009 é que seja um ano realmente melhor para todo o mundo. Catástrofes naturais, guerras e fome mundial preenchem 80% das imagens que é possível encontrar dos últimos doze meses.
Homens, mulheres e crianças mortas aos milhares em cenários de guerra como o Iraque, o Afeganistão, a Faixa de Gaza ou a Geórgia invadida pela Rússia;
Mulheres e crianças subnutridas em países como Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia ou Uganda.
A isto podemos juntar ainda a onda de violência interna na Grécia.
Mas a nível internacional vamos destacar como grandes marcas de 2008:
- Em primeiríssimo plano o chamado fenómeno Obama – depois de quase um ano de campanhas os americanos escolhem para a presidência dos Estados Unidos da América o Afro-americano Barack Obama, o primeiro negro a chegar à Casa Branca e a trazer aos americanos e ao mundo uma lufada de esperança no poder da democracia e no futuro de todo o mundo.
- Fidel Castro, o dinossauro sul-americano, abdica do poder que entrega ao seu irmão Raul, porém ninguém acredita que ele deixe de ser a sombra de Cuba.
- Realizam-se os Jogos Olímpicos de Pequim e a China mostra ao mundo o que de melhor e pior tem o seu regime.
- A Espanha sagra-se campeã europeia de futebol, num campeonato em que Portugal mostra a mais pálida imagem da sua capacidade.
Cá por casa e no que ao nosso Portugal diz respeito, a crise financeira e os casos do BPN e do BPP dominam os casos de 2008, mas há mais:
- A proposta avaliação dos professores deixou a classe em polvorosa e realizaram-se as mais mediáticas manifestações de sempre, num braço de ferro entre o governo e os docentes que promete continuar.
- A Assembleia da República aprova um acordo ortográfico demonstrativo da indisfarçável mediocridade e imbecilidade dos deputados da nação que votaram a favor deste diploma vergonhoso.
- Cavaco Silva promulga a polémica nova lei do divórcio.
- Começaram as alegações finais do caso Casa Pia.
- Manuela Ferreira Leite é eleita presidente do PSD.
- O cineasta Manuel de Oliveira completa 100 anos de idade.
- Morre o escritor António Alçada Baptista
- O estatuto político-administrativo dos Açores abre a guerra que se esperava entre o Presidente da República e o governo da maioria PS.
Para 2009 não há grandes previsões e as que há são por si só previsíveis.
- A crise financeira mundial terá a sua maior factura em pagamento este ano, dizem os entendidos e copiam os desentendidos.
- Os cenários de guerra em todo o mundo vão continuar, porém há na mente de todos uma nova esperança chamada Barack Obama.
- Em Portugal é ano de eleições, autárquicas e legislativas, e o Partido Socialista deverá ser o vencedor destas contendas, não sem ter que ultrapassar alguns obstáculos, a saber: conquistar o milhão de votos que pertencem a Manuel Alegre, compensar os votos dos professores que não vai ter, e, mais difícil, anular a guerra que lhe vai mover Cavaco Silva, que está furibundo por ter perdido a contenda dos Açores e porque sabe que o seu partido está entregue a uma bicharada que a senhora idosa é manifestamente incapaz de controlar. Basta ter ouvido com atenção o discurso de Ano Novo de Cavaco Silva aos portugueses para perceber que o verniz estalou e a máscara caiu. Falou da “imagem da política interna no exterior”, da “Estagnação económica dos últimos anos”, disse que “as ilusões pagam-se caro”, falou ainda das “querelas entre os políticos”, sublinhou o desemprego e as dificuldades actuais dos portugueses e disse que as políticas não deverão ser encaradas apenas para 2009, mas também para os anos seguintes, ou seja, para depois das eleições legislativas deste ano – “Acredito num futuro melhor em 2009, mas também nos anos que vêm a seguir” – disse – e só lhe faltou apelar à mudança. O Presidente da República tentou uma forma subtil de atingir Sócrates e o PS, porém, os portugueses não são assim tão estúpidos e se há coisa que é certa é que continuarão a não ser em 2009 nem nos anos seguintes. Ficou a sensação de que uma máscara caiu em plena cena, resta agora saber que futuro nos reserva o que intenções estarão por detrás dessa máscara no ano que agora começa. Uma coisa é certa, em 2009 continuará a ter razão o pensador Voltaire quando escreveu que “-Se não encontrarmos nada agradável, ao menos devemos encontrar algo novo.”
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