quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O Narciso Simplício foi à inauguração do Museu do Douro

O Narciso Simplício foi à inauguração do museu. Metido no seu fatinho domingueiro, de sorriso mesureiro e olhos esbugalhados à procura do Zé e das câmaras fotográficas ou de televisão, em pontas de pés, de modo a ficar o mais possível na fotografia de família dos jornais, revistas e telejornais, para assim poder alimentar a baba que arrasta pelos espelhos ou pelas páginas de jornal onde escreve, mal, muito mal, diga-se, para alimentar compadrios e ir segurando o tachito no Armazém de Antiguidades lá da aldeia.
Mas quem é o Narciso Simplício, perguntarão? É o mais coerente caso de registo civil! De facto, o "narciso" corre-lhe no sangue, e há mesmo quem assegure que a melhor prenda que lhe podem dar é um espelho onde possa perguntar-se da sua importância social, ou, um gravador portátil onde possa gravar os seus discursos e adormecer a ouvir-se com a baba a escorrer pela almofada abaixo. O "Simplício" é o apelido exacto para este simplório de fato e gravata com tiques de gente importante, capaz de espalhar a peçonha e a mentira por tudo quanto é púlpito, para defender a sua vaidade e o seu estatuto travestido de "alta figura". Por isso é fácil e simples encontrar o Narciso Simplício - sempre que haja inauguração pública, candidaturas a um cargo de dirigente, assembleia onde ele possa discursar, ou, visita governamental, o Simplício lá está, na sua pequenez, em bicos de pés, à procura dos holofotes. Coitado do Simplício que é ainda detectável porque quando sorri tem a palavra "medíocre" escrita nos dentes.

25 de Dezembro


Neste Natal, abracem-se as sílabas do amor,
Beijem-se as estrelas que deslizam na pele dos olhares.
Saboreie-se entretanto o destino dos que têm a rua como lareira familiar…
Eis a oração mais limpa do Natal.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O menino de Darfur


A criança de Darfur da fotografia que me cai no prato natalício deste ano está prostrada sobre uns panos em desalinho, olhar parado pelo peso da cabeça incapaz de se mover no topo de um pequeno corpo esquelético de não mais que dois ou três quilogramas, de um ser humano com não mais que seis anos de idade –, um amontoado de ossos de criança cobertos por uma pele fina e castanha, tão enrugada como a de um velho centenário.
Mas esta é apenas mais uma criança de entre milhões no limiar da morte por subnutrição, já que, sem escolher estação do ano ou quadras mais ou menos festivas, em cada 3,5 segundos que passam, morre um ser humano à fome! Realmente arrepiante, mas não menos arrepiante do que o facto de em algumas regiões do planeta, principalmente em África, a maior parte da população ter um consumo diário de cerca de 50 cêntimos, enquanto um cidadão suíço tem em média um consumo diário de 62 dólares!
No que à fome diz respeito, calcula-se que 815 milhões de seres humanos em todo o mundo sejam vítimas crónicas ou graves de subnutrição – leia-se fome – a maior parte dos quais são mulheres ou crianças dos chamados países em vias de desenvolvimento. Todos estes números são oficiais e assumidos pelas nações unidas. E a culpa é sobretudos dos homens e dos poderes indiferentes a esta realidade. Na Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia ou Uganda a fome, que há muito mata milhões de africanos, já deixou de ser notícia na imprensa internacional, e, entre as principais causas desta mortandade está a seca, mas também as guerras e a permanente instabilidade política e religiosa da região.
E ainda nem sequer estamos a falar da Europa, ou, de Portugal onde há mais de dois milhões de pobres e onde 2 em cada dez portugueses passam fome!
A pergunta que se põe é: Que diferença faz para esta gente o facto de ser ou não ser Natal? E como será a consoada dos cerca de 400.000 desempregados que há neste momento em Portugal?
Perante este cenário, não me venham com birras, greves e discursos de lana caprina, ou com cânticos do desgraçadinho, porque fome é fome…
Que sabor teria para os sem-abrigo e os esfomeados deste país um prato de rabanadas ou uma fatia de bolo-rei? Que diriam as almas das crianças que vivem no limiar ou abaixo da pobreza se o suposto Pai Natal se lembrasse delas, por mais insignificante que fosse o brinquedo?
São estas e muitas outras interrogações que nos dirige o silêncio do olhar parado do menino subnutrido de Darfur, que parece querer falar em nome das centenas de milhões de pobres e famintos que em todo o mundo apelam à solidariedade de todos aqueles que se afogam no consumismo e no desperdício. Pensem nisto e tenham um bom natal, se a consciência vos deixar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

UMA BRISA DE SILÊNCIOS (ALGURES EM BAGDAD

Uma brisa de silêncios
roça as carnes vivas
do bando dos mutilados,

Sorriem os gumes do
escultor imaginário
que habita nos espíritos
templários da humanidade;

Na fogueira comunitária
coze-se o sangue escorrente
do festim; secam-se as mãos
sujas de plasma; as brilhantes
labaredas iluminam
as pupilas brancas da morte,

que alumiam os aromas
do juízo final!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

À conversa com Jorge Nuno Pinto da Costa

Obrigou-me a profissão a entrevistar hoje mesmo o presidente do FCP, Jorge Nuno Pinto da Costa. Habituado a ouvi-lo nos seus imediatismos e sarcasmos, nem sempre ilegantes, das entrevistas televisivas, apostei em ir à procura do homem que verdadeiramente está por detrás do dirigente desportivo polémico capaz dos mais incisivos sarcasmos, às vezes menos elegantes - as bocas do Pnto da Costa - em tudo diferentes do cidadão Jorge Nuno, que com a mesma facilidade fala da cultura portuguesa, da democracia e da sua evolução dos últimos trinta e tal anos, ou das óperas de Puccini, da literatura portuguesa clássica ou de José Saramago, para além da sua concepção de fé e de poder. Tudo sobre o homem que está por detrás do presidente do FCP que aposta para já na continuidade, está plasmado na grande entrevista de Pinto da Costa à Tribuna Douro de Janeiro próximo. É uma surpresa que vale a pena conhecer. A frontalidade de um homem capaz de afrontar os seus detratores com a mesma nauralidade com que aplaude os eus adversários. Um momento passível de registar neste espaço de verdade sem lápis azul.

À conversa com Jorge Nuno Pinto da Costa